No Brasil, o protetor solar é o produto de skincare com maior impacto por real gasto. Também é o mais mal comprado: a maioria das pessoas escolhe pelo FPS no rótulo e ignora os outros dois números que realmente definem a proteção.
Os três números que importam
FPS — proteção contra UVB
Mede a proteção contra a radiação que causa queimadura e vermelhidão. A escala não é linear:
| FPS | Radiação UVB bloqueada |
|---|---|
| 15 | cerca de 93% |
| 30 | cerca de 97% |
| 50 | cerca de 98% |
| 70 ou mais | cerca de 98,5% |
Ou seja, sair do 30 para o 50 acrescenta pouco, e do 50 para o 70, quase nada. A ANVISA exige FPS mínimo de 30 para produtos que declaram alta proteção. Comprar FPS 70 achando que dura o dobro do tempo é o erro mais caro da prateleira.
PPD ou UVA-PF — proteção contra UVA
É o número que quase ninguém olha, e é o que responde pelo envelhecimento, pelas manchas e por parte do risco de câncer de pele. A regra brasileira determina que o PPD seja pelo menos um terço do FPS. Procure no rótulo:
- A sigla PPD seguida de um número: quanto maior, melhor. PPD 10 ou mais é bom.
- O símbolo UVA dentro de um círculo: indica que o produto atende à proporção mínima.
- Expressões como amplo espectro ou proteção UVA/UVB.
Um FPS 50 com PPD 5 protege muito menos do que um FPS 30 com PPD 12, apesar do número maior na frente do frasco.
Resistência à água
O rótulo pode declarar resistência de 40 ou 80 minutos. Passado esse tempo dentro da água ou suando, a reaplicação deixa de ser recomendação e passa a ser necessidade.
Filtro químico, físico ou híbrido
| Como age | Vantagem | Desvantagem | |
|---|---|---|---|
| Químico | Absorve a radiação | Textura leve, some na pele | Pode arder nos olhos e irritar pele sensível |
| Físico | Reflete a radiação | Boa tolerância; indicado para pele sensível, rosácea e crianças | Costuma deixar resíduo branco |
| Híbrido | Mistura os dois | Equilíbrio entre conforto e tolerância | — |
Escolhendo pela sua pele
- Oleosa ou com acne: textura gel, sérum ou fluido, com a indicação “oil free” e “não comedogênico”. Versões com toque seco ajudam no calor.
- Seca: creme ou loção, de preferência com ativos hidratantes na fórmula.
- Sensível ou com rosácea: filtro físico, sem perfume e sem álcool.
- Negra ou retinta: filtro químico ou híbrido, ou versões com cor, para evitar o véu acinzentado. Protetor com cor tem um bônus real: pigmentos de óxido de ferro ajudam contra a luz visível, que está ligada ao melasma.
- Com melasma: versão com cor é praticamente obrigatória, pela mesma razão.
Quantidade e reaplicação
A quantidade usada nos testes de laboratório é de 2 mg por centímetro quadrado. Traduzindo para o dia a dia:
- Rosto: meia colher de chá, ou a regra dos três dedos (uma faixa de produto no indicador, médio e anelar).
- Corpo inteiro na praia: cerca de 30 ml, o equivalente a uma dose de cachaça. Um frasco de 200 ml dá seis aplicações completas.
Passar metade da quantidade não dá metade da proteção: dá bem menos que isso. Reaplique a cada duas horas de exposição, e sempre depois de nadar, suar muito ou secar a pele com toalha.
Reaplicar por cima da maquiagem
É o problema prático de quem trabalha fora. As opções que funcionam:
- Protetor em pó com FPS, aplicado com pincel.
- Bruma ou spray facial com filtro, em camada generosa e próxima do rosto.
- Bastão, passado em duas ou três camadas nas áreas mais expostas.
Nenhuma delas substitui a aplicação da manhã. São complementos para manter a proteção ao longo do dia.
Cinco erros que anulam o produto
- Esquecer pescoço, orelhas, dorso das mãos e colo. São as áreas que mais entregam fotoenvelhecimento.
- Usar só em dia de sol. A radiação UVA atravessa nuvem e vidro de janela.
- Aplicar depois de já estar no sol. Filtros químicos pedem de 15 a 20 minutos para agir.
- Guardar no carro ou na areia quente. Calor degrada a fórmula.
- Usar frasco vencido ou aberto há mais de um ano. A eficácia cai.
Um detalhe brasileiro
O índice UV em boa parte do país passa de 11 no verão, faixa classificada como extrema. Nessas condições, protetor solar sozinho não basta: chapéu de aba larga, óculos com proteção UV, roupa com trama fechada e sombra entre 10h e 16h fazem tanta diferença quanto o produto.
Para manchas que mudam de cor, formato ou tamanho, a avaliação é sempre com dermatologista.